segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Lutas dos trabalhadores em educação são lembradas em audiência pública na ALMG
Posted on 15:02 by Sind-UTE Caxambu e região
Em audiência pública, Cássio Diniz explanou sobre a história do movimento sindical da categoria
Entre o fim da década de 70 e início dos anos 80, durante o período da ditadura militar, os trabalhadores da educação, buscando a concretização de seus direitos e de melhores condições de trabalho, exerceram um papel fundamental na construção das organizações representativas da classe trabalhadora, como o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE), o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e contribuíram por meio de sua luta para o fim do regime militar.
A análise é do professor da rede pública estadual Cássio Diniz, mestre e doutorando em educação, e um dos autores do livro História e Consciência de Classe na Educação Brasileira, que faz uma análise das lutas e desafios da categoria no Estado, entre os anos de 1979 e 1983, e que foram comemorados em reunião realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quinta-feira (10/12/15).
“Quem está presente aqui provavelmente foi protagonista da história que está neste livro”, disse Diniz. Um dos momentos marcantes lembrados na obra pelo professor foi a greve da categoria, em 1979. Segundo ele, na época, já havia um desgaste do regime militar, com uma situação econômica marcada pela inflação, que atingiu também a classe trabalhadora. “Diante da precarização do trabalho docente, os professores perceberam que somente a luta poderia trazer soluções imediatas e para o futuro”, ressaltou, ao lembrar que as greves, as mobilizações de rua e a construção de entidades sindicais foram as ferramentas usadas para isso.
Segundo ele, a situação de precarização do trabalho docente, associada à falta de direitos e aos péssimos salários, unida à percepção da importância de um enfrentamento coletivo e de massa à ditadura, culminaram na greve de 1979, um movimento considerado por Diniz como vitorioso, tanto do ponto de vista das reivindicações que foram acolhidas pelo governo, como também pelo amadurecimento político da categoria. “Os professores foram protagonistas da sua própria luta”, disse.
Como resultado de todo esse processo, Diniz pontuou que em 1979 nasceu também o Sind-UTE e, em 1980, o PT, primeiro grande partido de massas. Na sua avaliação, não se pode descartar o papel do partido na década de 80. Ele também ressaltou que a participação dos trabalhadores da educação nas grandes mobilizações contribuiu para o enfraquecimento social do regime militar. “Muitos não tinham clareza que aquela luta por melhores salários repercutia numa luta contra a ditadura militar. Era impossível falar em melhores condições de trabalho e melhores salários sem democracia”, concluiu.
O deputado Rogério Correia (PT) lembrou que as greves operárias, de professores e as atividades estudantis resultaram em um momento profícuo na luta pela liberdade e foram fundamentais para colocar em xeque os pilares que sustentavam o período autoritário. “Vivemos um momento em que não podemos permitir que se repita nenhum corte na democracia”, disse.
O deputado Professor Neivaldo (PT) parabenizou a comemoração da luta da categoria ao longo dos anos, mas lembrou que os desafios continuam. “Todos nós fazemos parte desta história”.
A coordenadora do Departamento de Formação do Sind-UTE, Feliciana Alves do Vale Saldanha, e o secretário-geral da CUT-MG, Jairo Nogueira Filho, destacaram que o livro do professor Cássio Diniz é um registro importante para o movimento sindical, além de ser um trabalho que reflete na própria organização sindical.
O Plenário da ALMG também realizou na noite desta quinta uma Reunião Especial em homenagem aos 36 anos do Sind-UTE.
fonte: assessoria ALMG
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Projeto Piza na Fulô: homenagem à Taiguara
Posted on 11:35 by Sind-UTE Caxambu e região
Por iniciativa do jornal Inverta, ocorrerá em Caxambu mais uma edição do projeto Piza na Fulô. Em destaque, o evento na cidade será em homenagem ao cantor Taiguara, importante artista engajado na luta contra a ditadura civil-militar, e campeão em canções censuradas pelo regime.
A proposta dos organizadores é inaugurar em Caxambu uma série de atividades culturais voltados para o debate da emancipação humana, em defesa da classe trabalhadora, contra a mercantilização e capitalização da cultura de massas e em prol de uma sociedade justa e igualitária.
O Sind-UTE/MG subsede Caxambu apoia essa iniciativa, e convida todos os trabalhadores em educação (professores, funcionários servidores das escolas e SRE) para participar dessa atividade, que une diversão, cultura e conscientização política.
Dias 11 e 12 de dezembro (sexta e sábado)
Horário: às 18h (sexta) e 16h (sábado)
Local: Hotel Bragança - Caxambu/MG
Sind-UTE/MG condena pedido de impeachment: isso é GOLPE!
Posted on 11:21 by Sind-UTE Caxambu e região
Desde o término das eleições 2014, o setor político derrotado nas urnas tem usado da chantagem do impeachment para tentar impedir o governo Dilma Rousseff de governar.
Todos sabem que 54 milhões de votos se somaram recusando a volta do PSDB ao poder. Neste mês, Eduardo Cunha (PMDB), dando prosseguimento à política golpista que praticou à frente da Presidência da Câmara dos Deputados, mesmo estando repleto de denúncias, acusado de mentir na CPI da Câmara dos Deputados e de ocultar contas bancárias na Suíça, resolveu colocar em marcha o pedido de impeachment dos golpistas que atentam contra o voto popular dos brasileiros.
Não tem meias palavras nessa situação. Esse pedido de impeachment é golpe e esse golpe tem como objetivo colocar o Estado brasileiro nas mãos da direita mais retrógrada que, em vista da crise econômica do capitalismo mundial, quer atacar ainda mais os direitos dos trabalhadores conquistados no último período. Eduardo Cunha (PMDB) é o exemplo claro dessa política golpista: fez reforma política tirando pequenos partidos de esquerda da propaganda eleitoral televisiva. Votou a favor da redução da maioridade penal. Aprovou o PL da terceirização. Votou a favor de manter o financiamento de empresas privadas em campanhas eleitorais. E agora, sem provas criminais contra a presidente eleita, encaminha um pedido de impeachment, enquanto posa de ficha limpa de braços dados com o setor oposicionista golpista.
É esse setor que vai assumir o poder, caso consigam depor Dilma Rousseff do cargo. E vão fazer o quê? Atacar a classe trabalhadora brasileira. Impeachment é GOLPE. Mesmo que sejamos críticos ou não sejamos críticos do governo de Dilma Rousseff, não podemos aceitar que o voto da maioria da vontade popular seja assim jogado na lata de lixo da história, porque o setor derrotado eleitoralmente resolveu não acatar a decisão democrática das urnas e está fazendo de tudo para desestabilizar a democracia e impedir o governo de governar. Portanto, é preciso nos mobilizarmos contra esse ataque orquestrado pela direita golpista. É preciso ir para as ruas e nas lutas barrar o golpismo! A democracia brasileira foi conquistada com suor, sangue e lágrimas. Vamos aceitar perdê-la?
Nós não aceitamos!
Belo Horizonte, 07 de dezembro de 2015.
Direção estadual do Sind-UTE/MG
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
Comissão Eleitoral divulga o resultado das Eleições 2015 do Sind-UTE/MG
Posted on 14:52 by Sind-UTE Caxambu e região
A Comissão Eleitoral Geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), em conformidade com o seu Estatuto, divulga por meio de editais em jornais de grande circulação, o resultado das eleições gerais, realizadas de 9 a 13 de novembro deste ano, em todo o Estado.
O número de votantes registrado é de 26.314, sendo que a Chapa Única "Quem luta educa e conquista", para a composição da Diretoria Estadual, na gestão 2015-2018, obteve 24.835 votos. Anularam o voto 281 filiados e filiadas.
A diretoria eleita será empossada no dia 16 de dezembro de 2015.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Reunião sobre carreiras e tabelas salariais dos servidores das SREs e do Órgão Central
Posted on 22:20 by Sind-UTE Caxambu e região
A primeira reunião do grupo de trabalho sobre as carreiras dos servidores das Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e do Órgão Central aconteceu, no dia 24 de novembro, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, das 10h às 10h50.
Participaram da reunião: Diego Freitas, Luiz Carlos, Joeliza Vieira, Soraya Hissa, Beatriz Cerqueira, acompanhados da assessoria jurídica e do Dieese do Sind-UTE/MG. Representando o Governo do Estado participaram: Antônio Carlos Pereira, Secretário-Adjunto da Educação, Francisco Moreira, Secretário-Adjunto de Governo e Warlene Drumond, Subsecretária de Gestão de Pessoas.
Acompanhe a síntese da reunião:
1) Fixação de diretriz acerca da periodicidade das reuniões, qual seja: a cada duas semanas, aproximadamente. Até janeiro de 2016, acontecerão três reuniões: 09/12/15, 13 e 27/01/16.
2) Metodologia das próximas reuniões:
09/12 - apresentação do estudo preliminar feito pelos servidores administrativos relativamente às carreiras de ANE e TDE; apresentação e disponibilização, pelo Governo, dos estudos já realizados acerca dos impactos dos aumentos pretendidos pela categoria.
13/01 - Apresentação, pelo Governo, de panorama acerca da estruturação das carreiras da Educação em outras unidades da federação, levantadas a partir de reuniões do CONSED e de pesquisa própria feita pela Seplag.
27/01 - Apresentação, pelo Governo, de sistematização da estrutura das carreiras a partir do panorama apresentado na reunião anterior.
3) Prazo de duração das atividades do GT: Governo não pretendia abordar esse ponto nessa primeira reunião. Após discussão com os presentes, decidiu-se que o prazo de duração do GT iniciou sua contagem a partir de 24/11. O Governo pretende ponderar a complexidade e avanço das discussões no decorrer das primeiras reuniões para propor a data de seu término. Até a reunião do dia 27/01/2015, esse prazo deverá ser definido.
6) O Governo pretendia iniciar os trabalhos com discussão conceitual acerca das carreiras, definindo suas atribuições, estrutura, cargos integrantes do quadro sem discussão de tabelas salariais. Os representantes da categoria discordaram. Não é possível discutir carreira sem discutir tabelas salariais, o grupo de trabalho tem esta finalidade.
7) O Sind-UTE/MG encaminhará ofício para o Governo, com solicitação de dados e informações pertinentes aos pleitos da categoria para que Executivo faça a apresentação.
A próxima reunião será no dia 9 de Dezembro, às 14 horas, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
Servidores discutem e aprovam propostas para reorganizar e valorizar o IPSEMG
Posted on 22:15 by Sind-UTE Caxambu e região
Durantes dois dias (26 e 27/11), servidores públicos de várias repartições do Estado, parlamentares e representantes do Governo se reuniram no Fórum Técnico 103 anos do Ipsemg: reorganizaçao e valorização, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) participou do Fórum com uma representação de mais de 150 educadores e educadoras, representando todas as regiões do Estado. Durante as discussões feitas em três grupos de trabalho: “Previdência”, “Gerenciamento Democrático” e “Saúde e Assistência”, na quinta-feira (26), as Subsedes apresentaram sugestões e levantaram, junto com outros servidores públicos, os principais problemas do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG). Também discutiram a autonomia do Instituto, a recriação do fundo extinto e a anulação de previdência complementar.
A voz recorrente do encontro foi a de que, entre os principais gargalos do Instituto, estão a má gestão e a falta de autonomia financeira e administrativa do órgão. Na plenária de sexta-feira (27), a retomada dessa autonomia pautou os debates. Um documento contendo as 25 propostas aprovadas será entregue pelo deputado Rogério Correia, coordenador dos trabalhos, ao presidente da ALMG, deputado Adalclever Lopes, e ao Poder Executivo.
Discussões em grupo
A reestruturação do Funpemg, extinto por meio da Lei Complementar 131/13, foi debatida pelo Grupo 1, que discutiu o tema “Previdência”. O grupo chegou ao consenso de que o Fundo de Previdência de Minas Gerais deve ser reestruturado no prazo máximo de dois anos e todo o capital original, que em 2013, era de R$ 3,2 bilhões, deverá ser reconstruído, com atualização monetária.
O tema da “Saúde e Assistência” foi debatido pelo grupo 2, que sugeriu, entre outras propostas, a disponibilização de um Sistema Suplementar Facultativo de Assistência à Saúde, como alternativa para os que optarem por atendimentos especiais.
O Grupo 3 discutiu o “Gerenciamento Democrático do IPSEMG”, cujo papel principal é impedir a utilização dos recursos previdenciários para outros fins que não sejam o financiamento das aposentadorias. Daí a importância de se resgatar a autonomia administrativa e financeira do órgão.
Trabalhadores em educação marcam presença no Fórum
Sob a coordenação do Sind-UTE/MG, trabalhadores em educação de várias regiões do Estado marcaram presença efetiva no Fórum.
Segundo a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, os educadores trouxeram a pauta discutida, amplamente com a categoria, em assembleia. Ela ressaltou a importância da aprovação de uma proposta geral, e cobrou do governo respostas rápidas tanto em relação à extinção do funpemg, quanto no que diz respeito à devolução do dinheiro transferido para o Tesouro do Estado com a extinção do Fundo.
Consta da pauta de reivindicações 2015 protocolada pelo Sind-UTE/MG junto ao Governo do Estado, em fevereiro deste ano os seguintes itens:
IPSEMG e PREVIDÊNCIA
Atualização da publicação de todos os pedidos de aposentadoria e estabelecimento de uma política de agilidade e eficiência para os novos pedidos.
- Imediata realização de concurso público para servidores do IPSEMG;
- Elaboração de uma política de prevenção à saúde do trabalhador.
- Reabertura dos postos ou agências do IPSEMG retornando o atendimento do IPSEMG Família.
- Regularização da dívida do Estado com o IPSEMG, tornando-a pública.
- Manutenção da gestão do IPSEMG integralmente pelo setor público sem qualquer transferência para a iniciativa privada.
- Realização de eleição direta para os cargos de gestão do IPSEMG.
- Ampliação e melhoramento do atendimento médico, odontológico, convênios laboratoriais e perícia local em todas as regiões do Estado, aumentando o número de Regionais de atendimento.
- Ampliação da representação dos/as trabalhadores/as nos Conselhos do IPSEMG.
- Redução do tempo de espera para todos os procedimentos realizados pelo IPSEMG.
- Possibilitar que os filhos/as desempregados/as dos/as servidores/as públicos/as sejam incluídos como dependentes.
- Criação de Conselhos Municipais do IPSEMG.
- Tornar pública a prestação de conta dos fundos de Previdência do Estado.
- Revogação do desconto dos dependentes do servidor.
- Não implementação da coparticipação no IPSEMG.
- Descentralização da perícia médica com atendimento em todas as regiões do Estado.
- Criação de Câmaras do IPSEMG em todas as regiões do Estado.
- Disponibilização de consultas eletivas em todos os hospitais, clínicas e Santas Casas no interior do Estado.
Demandas Regionais
Entre as proposições defendidas pelas subsedes do Sind-UTE/MG e aprovadas está a proposta de construção ou aquisição imediata de Hospitais Regionais do IPSEMG no interior do Estado, iniciando pelo município de Uberlândia, estendendo às demais cidades polos das regiões, considerando-se a proporcionalidade da população e as demandas existentes.
Consta da pauta de reivindicações 2015 protocolada pelo Sind-UTE/MG junto ao Governo do Estado, em fevereiro deste ano os seguintes itens:
Moções de Repúdio
Foram aprovadas duas moções de repúdio: uma pela intimidação e constrangimento que alguns representantes do Fórum receberam por parte de assessores do deputado João Leite e outra em protesto à tentativa de intimidação à coordenadora-geral do Sind-UTE/MG e presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, que foi "convidada" pelos deputados da Comissão Especial que "investiga" a tragédia em Mariana - provocada pelo rompimento de uma barragem da Mineradora Samarco - empresa do consórcio Vale/BHP. Beatriz foi convidada a prestar esclarecimentos sobre o artigo que escreveu a respeito do assunto e que foi divulgado em sites e blogues da mídia alternativa.
Repercussão
Representantes de várias categorias do funcionalismo público mineiro, entre eles, os trabalhadores e as trabalhadoras em educação, marcaram posições firmes durante os debates.
“Apesar da base não ter sido escutada sobre a reestruturação do IPSEMG, conforme combinado em julho com o Governo, o Fórum Técnico sobre a organização do Instituto conseguiu resgatar questões importantes para o funcionalismo. Outros itens ainda precisam avançar.”
Maria Catarina Laborê Vale
Diretora do Departamento de Políticas Sociais do Sind-UTE Subsede Divinópolis
“A aprovação das propostas discutidas no Fórum Técnico sobre a reestruturação e organização do IPSEMG representa um passo importante para os servidores de Minas Gerais. Conseguimos interferir em questões de grande interesse de todos. Entendo que a discussão na Assembleia Legislativa de Minas Gerais representa um espaço democrático.”
Fabrício Mascarenhas
Diretor do Sind-UTE Subsede Diamantina
“Esperamos que importantes decisões possam ser transformadas em leis e ter devidas adequações na Lei Complementar 64, que regulamenta o sistema previdenciário do servidor público mineiro.”
Renato Barros
Diretor do SindSaúde
“Avalio positivamente o Fórum, apesar de algumas questões polêmicas, ressalto a união dos servidores em defesa de um patrimônio que é nosso.”
Antonieta de Cássia Dorledo de Faria
Diretora do Sisipsemg
domingo, 29 de novembro de 2015
Uma rápida visita a uma escola ocupada
Posted on 11:44 by Sind-UTE Caxambu e região
por Cássio Diniz
Confesso que estava curioso. Mesmo tendo participado do movimento estudantil na minha juventude, nunca tinha visto uma forma de luta como essa. Ocupar uma escola como hoje fazem os estudantes paulistas é bem diferente de ocupar uma reitoria na universidade ou uma assembleia legislativa. A perspectiva é outra.
Confesso que estava curioso. Mesmo tendo participado do movimento estudantil na minha juventude, nunca tinha visto uma forma de luta como essa. Ocupar uma escola como hoje fazem os estudantes paulistas é bem diferente de ocupar uma reitoria na universidade ou uma assembleia legislativa. A perspectiva é outra.
Na última quinta-feira visitei a
Escola Estadual João Kopke. Ela se localiza quase em frente da Estação Júlio
Prestes, região da Luz, área de baixa renda no centro da cidade de São Paulo. Levava comigo
a moção de apoio que aprovamos em um seminário na Argentina e que deveria
entregar uma semana antes, como havia prometido pelos estudantes da escola pela
internet.
Ao chegar, às 7 horas em ponto,
encontro alguns jovens em frente ao portão. A maioria chegando, como se fosse
um dia letivo tranqüilo, mas com um pequeno detalhe: não vinham com mochilas.
Esperavam para que alguém da comissão de segurança abrisse os portões para
entrarem, sempre trancada com uma grossa corrente e um grande cadeado.
Conversei com alguns deles.
Apesar de tímidos – ou desconfiados, pois a questão de segurança contra espiões
e provocadores é fundamental – eles se mostraram bem esclarecidos e
politizados. Ou seja, com a linguagem própria dessa geração, demonstraram saber
muito bem o que estavam fazendo. Apesar da conversa inicial – no qual informei
sobre a moção que queria entregar – não entrei com eles, pois ali eu era um
desconhecido. Mas recebi a promessa de um deles que iria conversar com a menina
da comissão que dormiu lá essa noite.
Importante destacar: nesse
momento vejo a movimentação de dois alunos. Eles começam a varrer a pequena
área interna do portão e depois a calçada externa da escola. Eram da comissão
de limpeza e naquele dia foram destacados para essa tarefa. A limpeza é uma das
principais preocupações práticas desde que começou a ocupação ali.
Poucos minutos depois chegaram
dois professores. Eles faziam parte de um grupo de docentes que apoiavam as
ocupações, e naquele caso específico, estavam ali para garantir a segurança de
seus alunos. Não contra ladrões ou contra qualquer outro tipo de pessoa que a
mídia chama de marginais, mas contra a Polícia Militar que diariamente
provocava e intimidava os estudantes da João Kopke. Um deles me disse que a
noite anterior foi tensa devido a isso.
Os dois professores montavam uma
lona na calçada para se abrigarem da pequena garoa que constantemente aparecia. Propus-me a ajudar. Ao mesmo tempo
eles me contavam como está o movimento na capital, o apoio da comunidade, a
postura do governo e da mídia e a repressão violenta que a PM e grupos
fascistas estava fazendo em algumas escolas. A novidade daquela manhã era a
tentativa de desocupação da E.E. Caetano de Campos por um grupelho reacionário
que queria expulsar os estudantes da escola naquele dia.
Como era próximo da estação de
trem, o fluxo de pessoas na calçada oposta era muito grande. Em determinados
momentos paravam pessoas para tirar fotos. Duas mães chegaram para conversar
com a gente. Se mostravam preocupadas com a paralisação das aulas, porém,
apoiavam as ocupações. “Se acabarem com o
ensino médio nessa escola, onde meu filho irá estudar? Nós moramos aqui na Luz
e não tenho condições de levá-lo todo dia para outra escola distante 10 km
daqui”, foi a angustia de uma das mães sobre a reorganização proposta pelo
governo de Geraldo Alckmin. Um jovem pai também passou em frente, e sugeriu que
os estudantes começassem um abaixo-assinado, para demonstrar que a comunidade apóia
a luta deles. “Nossa luta, de todos nós”,
disse um dos professores com quem conversava.
Depois de uma hora de boa
conversa, troca de experiências e informações em frente a escola, uma menina da
comissão veio até mim. Disse que os estudantes aprovaram minha entrada.
Finalmente passei pelos portões da João Kopke. Noto que o jovens, antes
desconfiados, se tornaram bastante amigáveis, ao dar vários bons dias e abrirem
caminho. Todos são estudantes da escola.
Entro no pátio e percebo a
organização do lugar. Tudo em ordem, sem bagunça, e com alguns meninos
começando a limpeza matinal. Noto em algumas paredes a inexistência de
pichações ou qualquer depredação do prédio, mas sim a existência de cartazes
com palavras de ordem, e, principalmente, com as tarefas tiradas nas
assembleias anteriores. Até o cardápio dos almoços da semana estava lá. “A comida é bem melhor na ocupação do que era
antes”, disse um dos alunos.
Chego a uma área onde estava
concentrada a maioria daqueles que dormiram ali. Alguns se levantavam depois de
uma noite de sono. Talvez depois de uma festinha, quem sabe, pois são jovens
como quaisquer outros. São adolescentes comuns, que exalam alegria e energia, fazem brincadeiras, mesmo dormindo em magros colchonetes e cuidando fisicamente da escola.
A menina que havia me recebido me apresentou aos
presentes. Digo os motivos, explico sobre a moção de apoio e também da solidariedade dos
alunos do IEMG (Instituto de Educação de Minas Gerais, ocupada naquela semana)
e falo que a luta protagonizada por eles é um dos momentos mais importantes da
história dos movimentos sociais do Estado de São Paulo, quiça do Brasil. Uma salva de palmas é a resposta dada.
Conversamos mais um pouco. Me
disseram a rotina da ocupação e a expectativa do movimento. Ao final tiramos
uma foto para ser o registro daquele momento que guardarei com especial carinho.
Vou embora com uma boa sensação.
Ali vejo uma história sendo construída. Essa luta quebra qualquer paradigma que
jovens não gostam de sua escola. Não apenas gostam, mas defendem radicalmente a
existência dela. Podem não concordar com o modelo de educação, ultrapassada e
desconexa do mundo juvenil e da classe trabalhadora, mas buscam se apoderar
dela, transformá-la, colocá-la a serviço de uma verdadeira educação
transformadora segundo sua própria visão de mundo. Esses jovens, vitoriosos ou
não, já demonstraram que ganharam para o resto de suas vidas.
Cássio Diniz
é professor de História da rede estadual de Minas Gerais,
mestre e doutorando em educação
e diretor estadual do Sind-UTE/MG
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Uma ocupação por dentro. Estudantes secundaristas paulistas descobrem que só a luta muda a vida
Posted on 18:40 by Sind-UTE Caxambu e região
107 escolas já estão ocupadas. Enquanto isso, Judiciário recusa pedido de Alckmin e proíbe reintegração de unidades no estado
Passa das 11h quando acaba a primeira assembleia geral entre os alunos da Escola Estadual Shinquichi Agari, na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. Jennifer Souza, de 17 anos, acaba de ser eleita secretária-geral do movimento de ocupação da unidade, que começou no dia anterior, 17 de novembro.
A ocupação da escola integra um movimento robusto que tomou conta do estado desde que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou, em nome de uma pretensa “reorganização escolar”, o fechamento de 94 unidades de ensino na região.
“O Alckmin quer fechar escolas e abrir prisões, não está preocupado com a nossa vida, com a nossa educação”, afirma a secretária-geral, já empossada e empoderada, repetindo um discurso comum entre os estudantes paulistas.
Desde as 8h, alunos se revezam em tarefas internas da escola. O café da manhã foi feito com suprimentos levados pelos pais, que antes de saírem para o trabalho, deixaram pão, leite, achocolatado, manteiga e queijo na entrada do prédio. “Vocês já terminaram de organizar a biblioteca?”, pergunta o presidente da ocupação, Welinton Dias, de 16 anos.
Todos os livros foram colocados em ordem e a sala foi limpa. “Nessa escola, temos apenas três mulheres que limpam todo o prédio. É um absurdo, porque aqui é muito grande e difícil para elas, por isso conseguimos deixar a escola melhor do que estava”, afirma Dias, enquanto mostra o pátio interno completamente limpo e já ornado com algumas plantas.
O almoço foi feito com alguns mantimentos estocados na escola para as merendas. Por conta da imprevisibilidade do tempo de ocupação, os estudantes pedem doações de alimentos não perecíveis e água. “Daqui, só sairemos quando o Alckmin voltar atrás, não tem outra possibilidade.”
A Shinquichi é uma das escolas que serão afetadas pela decisão unilateral do governo “reorganizar” a educação no estado. No prédio, serão abolidos os cursos de 1º ao 3º colegial, vedando o funcionamento do prédio no período noturno.
Os alunos afirmam que já se sentem vitoriosos, independentemente da resposta do governador diante da pressão popular por melhorias na Educação. “Olha, conseguimos coisas maravilhosas só com a ocupação. Isso me ensinou que só agindo, podemos modificar algo. Durante muitos anos, nós pedimos melhorias na estrutura da escola, a água é horrível, não tem segurança, as paredes são úmidas e as cadeiras quebradas. Desde que ocupamos, a Delegacia de Ensino veio aqui duas vezes e até arquiteto trouxeram, prometendo pra gente que as condições da escola vão melhorar”, afirmou o estudante.
Para justificar a persistência em manter aberta a escola, Jennifer e Welinton se revezam na explicação. “Meus pais estudaram aqui. Eu estudo aqui junto com meus dois irmãos. Já criei laços com a escola, que pertence à minha família também. Não tem sentido o governador querer nos tirar isso”, afirma o aluno.
Para Jenifer, a explicação vai para além dos muros da escola. “No período noturno, quando só funciona o colegial, a maioria dos alunos trabalha. Quem estuda nesse horário, mora perto do Shinquichi, não pode sair do outro colégio às 23h e caminhar meia hora até sua casa, é perigoso”, explica a estudante.
De acordo com alguns pais de alunos que se revezam na entrada da escola, durante uma reunião com a direção da unidade, eles foram informados de que seus filhos serão transferidos para o E.E. Pedro Viriato Parigot de Souza.
Roseli Freitas é mãe de duas crianças que estudam no Shinquichi e mantém um comércio na frente da escola. “Eu moro aqui do lado, a uma quadra da escola. Se mudar para o Parigot, meu filho de 14 anos, que ainda não trabalha, vai precisar pegar uma condução, não temos dinheiro para isso. E aqui é perigoso, não posso deixar o menino caminhar meia hora à noite, sozinho.”
Fátima Brasileiro, que é vendedora e mãe de uma menina de 17 anos que integra o movimento de ocupação da escola, defende a ação dos estudantes. “É até emocionante ver minha filha querendo mudar o mundo. Esse governador nunca veio nesse bairro e agora quer prejudicar ainda mais nossa vida?”, pergunta.
A tarde vai morrendo e os alunos começam a organizar a vigilância noturna. “Sempre tem uns pais, amigos e imprensa que vem aqui na porta. Só a polícia e a delegacia de ensino não vão entrar. Mas precisamos saber quem são as pessoas que se aproximam da escola”, explica Welinton, que está com fome. “Tem gente que nunca esquentou um leite e está fazendo nossa janta, estou com medo”, brinca, lembrando a inexperiência dos colegas com a cozinha.
Reintegração
Na manhã desta segunda-feira (23), os alunos das 107 escolas que estão ocupadas em São Paulo conseguiram uma importante vitória. Em decisão unânime, cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinaram, que poderão ser mantidas todas as ocupações de por alunos, pais e professores em protesto contra a reorganização do ensino imposta pelo governo Alckmin (PSDB).
De acordo com o TJ-SP, em sua decisão, nenhuma reintegração de posse será concedida ao estado de São Paulo, no que tange as ocupações de escolas. De acordo com os juízes, Alckmin não dialogou com alunos, professores e pais sobre a decisão de fechar as unidades.
Ainda de acordo com os desembargadores, há de se prezar pela segurança dos alunos, o que não pode ser garantido pelo Estado, em caso de invasão da Polícia Militar para remoção dos estudantes. O presidente da 7º Câmara, o desembargador Sérgio Coimbra Shmidt, criticou Alckmin e afirmou que não se pode fechar escolas quando estamos precisando avançar na questão da educação.
(Site CUT Nacional - Igor Carvalho – 23/11/15)
Atenção - aviso urgente para servidores específicos (AÇÃO CUSTEIO DE PENSÃO)
Posted on 17:33 by Sind-UTE Caxambu e região
ATENÇÃO
ESSE AVISO VAI ESPECIFICAMENTE PARA AS SERVIDORAS:
VERA LÚCIA SILVADO BALDIM (LAMBARI)
MARIA REGINA OLIVEIRA DA SILVA (CAXAMBU)
MARIA INÊS DE OLIVEIRA (OLIMPIO NORONHA)
MARIA REGINA OLIVEIRA DA SILVA (CAXAMBU)
MARIA INÊS DE OLIVEIRA (OLIMPIO NORONHA)
Companheiras,
O Sind-UTE/MG- Sindicato Único
dos Trabalhadores em Educação e Minas Gerais - ajuizou ações
requerendo a devolução dos valores relacionados ao Custeio de Pensão que
corresponde à restituição do desconto previdenciário no valor de 4,8% da
remuneração no período de junho de 2002 a
abril de 2004 para servidores da educação que se sentiram lesados nesse direito
e que recorreram ao Sindicato. Esta luta foi bem sucedida
e uma grande parte destes trabalhadores já recebeu seus créditos. Ainda temos
processos em fase de execução, mas há processos concluídos e que apesar dos
esforços da Sede Central, os autores ainda não foram localizados para receberem
os créditos a que tem direito.
Neste sentido, pedimos que as pessoas abaixo citadas entre em contato conosco:
SERVIDOR
|
MUNICIPIO
|
CPF
|
Vera Lúcia
Silvado Baldim
|
Lambari
|
623655256-87
|
Maria Regina
Oliveira da Silva
|
Caxambú
|
064113126-72
|
Maria Inês de
Oliveira
|
Olimpio Noronha
|
100895866-20
|
E-MAIL PARA CONTATO: sindutecaxambu@hotmail.com
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