quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Nota de esclarecimento - notícias falsas sobre ação judicial

Em virtude da notícia veiculada em grupos de WathsApp em nome do Sind-UTE MG sobre o êxito na ação judicial que questiona a ilegalidade do desconto da assistência médica do IPSEMG (3,2%) sobre o 13º salário dos servidores e orienta o envio de documentos para recebimento do crédito devido, a entidade presta os seguintes esclarecimentos:

1. De fato, sobre essa questão, o Sindicato tem ajuizado ações judiciais individuais para os servidores da educação questionando a ilegalidade do desconto da assistência médica do IPSEMG (3,2%) que incide sobre o 13º salário com a devida restituição dos últimos 5 (cinco) anos, conforme divulgado no Kit Jurídico, disponível no site e enviado por mala direta para os filiados ao sindicato.

2. Além das ações individuais, o Sindicato também ajuizou ação coletiva – nº 0030925-79.2014.8.13.0024 – sobre essa matéria, mas que ainda não tem decisão definitiva quanto ao mérito.

3. É importante esclarecer que o Sindicato não fez qualquer veiculação de notícia sobre êxito da ação judicial referente a restituição do 3,2% (assistência médica do IPSEMG) sobre o 13º salário, sendo que, em caso de decisão favorável em definitivo da ação coletiva, será oportunamente divulgado nos canais oficiais de comunicação desta entidade.

4. Em caso de êxito nas ações individuais, o Sindicato fará contato com o servidor, para que ele possa enviar a documentação necessária que será solicitada para o recebimento do crédito que lhe é devido.

5. O servidor que ainda não enviou a documentação e que queira ajuizar ações individuais pleiteando a restituição dos valores descontados à título de 3,2% (assistência médica do IPSEMG) sobre o 13º salário pode fazê-lo. Em relação aos servidores que já possuem ação judicial ou encaminharam a documentação constante no Kit Justiça, solicitamos, em caso de dúvida, que façam contato com o Departamento Jurídico na sede ou nas regionais que possuem atendimento.

sábado, 5 de agosto de 2017

Sind-UTE/MG Subsede Caxambu realiza plenária específica para ASB's

No final da tarde do dia 03 de agosto o Sind-UTE/MG subsede Caxambu realizou plenária regional específica com os auxiliares de serviço da educação básica (ASB 's), para debater a situação do segmento e a votação de participantes para o Encontro Estadual de ASB's em Belo Horizonte, nos dias 18 e 19 de agosto.



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Assembleia estadual de trabalhadores em educação, em Belo Horizonte, dia 17 de agosto

Haverá caravana da região de Caxambu para a assembleia estadual em Belo Horizonte. Interessados, entrar em contato pelo e-mail sindutecaxambu@hotmail.com, passando nome completo, RG, cidade e telefone, até o dia 16 de manhã.


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Informes da reunião realizada com o Governo do Estado

A reunião aconteceu, no dia 14 de julho de 2017, após várias solicitações do Sindicato para o agendamento de reunião de negociação tendo em vista o acordo do governo sobre a política para o pagamento do Piso Salarial.

Representaram o Governo do Estado nesta reunião o secretário de estado de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, o secretário adjunto de Governo, Francisco Moreira, secretário adjunto de Educação, Wieland Silberschneider, Carlos Calazans, Relações Sindicais da Seplag, deputado estadual Rogério Correia, representando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

A direção do Sindicato fez um histórico de todos os problemas, o que está sendo descumprido nos acordos assinados, questões tratadas em reuniões anteriores que não tiveram encaminhamentos, o descontentamento e a indignação com o veto no projeto sobre anistia da greve das Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e do Órgão Central, em que havia um compromisso do governo em sancioná-lo.

A direção do Sindicato também relatou a dificuldade de negociação na Secretaria de Educação: três anos com a mesma pauta e não há avanços, mesmo em questões que não tenham impactos financeiros, não há projeto pedagógico debatido com a categoria, não há discussão sobre o Ensino Médio, nem com a categoria ou comunidade escolar. Ainda, questionou o comportamento da Secretaria de Estado da Educação que desfez a mesa de negociação ao esvaziá-la sem participação da Secretária ou do Secretário Adjunto.

A direção do Sindicato também fez uma avaliação sobre a importância do cumprimento integral do acordo do Piso Salarial e Carreira. No entanto, o governo apresentou posição que, na prática, significa o rompimento do acordo pactuado e estabelecido em lei. Acompanhe o posicionamento que o Governo do Estado apresentou:

1) Reajuste de 7,64% retroativo a janeiro de 2017:o governo afirmou que não tem condições de cumprir o que assinou em 06 de abril de 2017, quando se comprometeu em enviar o projeto de lei para Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em junho. Também não apresentou nova data para o envio do projeto, nem proposta de pagamento do retroativo.

2) Pagamento do Adicional de Valorização da Educação Básica: o governo afirmou que não tem condições de cumprir o que foi assinado, em 06 de abril de 2017, quando se comprometeu em pagar imediatamente o Adicional incluindo o retroativo a janeiro. Anunciou que pretende pagar o Adicional a partir do salário recebido em setembro, sem previsão sobre o pagamento do retroativo. Esta posição contradiz o próprio governo que afirmou durante todo o primeiro semestre, que o recurso estava reservado e que tão logo a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) fosse aprovada na Assembleia Legislativa, o pagamento seria feito. O governo chegou a participar da solenidade de promulgação da PEC na Assembleia Legislativa repercutindo em suas redes sociais o discurso de valorização da educação.

3) Promoção na carreira: não há retorno da Secretaria de Estado da Educação sobre o decreto para regulamentar a segunda promoção na carreira, conforme acordo assinado em 2015.

4) Retroativo do reajuste do Piso Salarial de 2016: governo não apresentou nenhuma proposta. São três meses (janeiro, fevereiro e março).

5) Sobre Parceria Público-Privada na Educação:apesar de todo o debate que o Sindicato tem apresentado nos últimos dois anos contra propostas de privatização na educação, o governo reafirmou que irá manter a política de parceria público-privada na educação terceirizando os serviços de limpeza, alimentação escolar e secretaria, transferência de recursos públicos para a iniciativa privada entre outras medidas. O Sindicato continuará lutando contra as privatizações na educação mineira.

5) Sobre concurso público: o governo reafirmou que prorrogará os editais que ainda tiverem nomeações a serem feitas. No entanto, revelou que pretende realizar concurso apenas para professor regente de aulas. Para os demais cargos - Professor Regente de Turma, Auxiliar de Serviços da Educação Básica, Assistente Técnico da Educação Básica e cargos das Superintendências Regionais de Ensino - não pretende fazer concurso. O Sindicato discordou desta posição e lutará para concurso para todos, conforme está na pauta de reivindicações da categoria.

6) Direitos dos servidores que aposentaram:embora o Sindicato tenha relatado todo o acúmulo de benefícios sem pagamento, o governo insistiu na postura de não se comprometer em realizar o pagamento dos direitos dos servidores que aposentaram. Há demandas sem pagamento desde 2008, de acordo com o levantamento que o Sindicato fez. O governo pretende destinar, a partir de julho, R$10 milhões por mês para quitar dívidas com servidores, mas, não garante que os aposentados tenham prioridade. Vamos continuar cobrando que os direitos de quem se aposenta sejam pagos imediatamente.

7) Sobre a situação dos servidores adoecidos e que estão amparados pela Lei Complementar 138/16: o governo informou que enviará novo projeto de lei complementar prorrogando, até dezembro de 2019, o vínculo de quem está de licença médica e ainda não se aposentou. O Sindicato também cobrou que o Estado resolva a situação dos servidores que ficam meses sem salário entre uma perícia e outra, além dos descontos que estão sendo efetuados de quem se aposenta proporcionalmente. Estas demandas foram apresentadas ao Governo em reunião realizada em maio deste ano. Mais uma vez o governo se comprometeu em resolver.

Quando o projeto de lei for enviado à Assembleia Legislativa, o Sindicato fará uma avaliação e pressionará para que todas as demandas sejam resolvidas.

8) Negociação do calendário de reposição da greve nacional da educação realizada em março deste ano: será feita em agosto. Diante disso, o Sindicato continua orientando que a categoria aguarde e que o recesso de julho deve ser direito de todos e todas. A greve não é um fim em si mesmo, mas, um instrumento de luta coletiva. Por isso, a negociação deve ser coletiva, dentro do tempo da luta que precisa ser feita.

Encaminhamento

Diante dos resultados desta reunião, a direção do Sindicato batalhou para que haja uma reunião diretamente com o governador, Fernando Pimentel, o que deve acontecer na primeira semana de agosto.

Além disso, estão convocadas reunião do Conselho Geral e Assembleia Estadual para o dia 17 de agosto. A data foi pensada para termos um amplo processo de mobilização em todo o estado.

A direção do Sindicato atuou e fez todos os esforços na tentativa de avançar nas negociações. Foram várias solicitações, tentativas de respostas positivas, além de todo o trabalho para a aprovação da alteração da Constituição do Estado para o pagamento do Adicional de Valorização da Educação Básica (Adveb).

Observação: o relato da reunião somente foi divulgado agora porque o governo não deu resposta imediata sobre o pagamento do Adveb. O posicionamento final foi informado após a reunião. Também foram feitos novos esforços para reverter, ainda no mês de julho, as negativas relatadas.

sábado, 29 de julho de 2017

Encontro Estadual de Auxiliares de Serviço da Educação Básica (ASB's) dias 18 e 19 de agosto

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) estará realizando nos dias 18 e 19 de agosto o Encontro Estadual de Auxiliares de Serviço da Educação Básica (ASB's) das redes estadual e municipais. O encontro terá como objetivo avançar na organização e mobilização desse segmento no Estado de Minas Gerais, em conjunto com toda a categoria.

O Sind-UTE/MG subsede Caxambu tem direito a 15 participantes titulares e 15 suplentes nesse encontro. Devido a isso, os interessados deverão participar da plenária regional em Caxambu no dia 03 de agosto (quinta, às 17h30, na subsede) para maiores informações e para se candidatarem.

O critério para participar do Encontro Estadual de ASB's é ser filiado ao Sind-UTE/MG ou se filiar na plenária do dia 03 de agosto. Outras dúvidas, entrem em contato conosco pelo telefone (35) 3341-3799, ou pelo e-mail sindutecaxambu@hotmail.com. Haverá creche para crianças até 10 anos no encontro, mediante anúncio na plenária.


Conquista do Sind-UTE/MG! Lei 22.623/17 ampara o profissional da educação vítima de violência no ambiente escolar

A iniciativa do Sind-UTE/MG de lutar por uma lei que estabelecesse medidas protetivas e procedimentos para os casos de violência contra os servidores do quadro da Secretaria de Estado de Educação (SEE) começou a partir do debate do caso de uma professora do Instituto de Educação de Minas Gerais, em Belo Horizonte, que foi agredida na sala de aula em junho de 2014.

A agressão que ela sofreu fez com que tivesse o fêmur fraturado. Segundo o Sindicato, na época, a Secretaria de Estado da Educação fez uma “investigação própria” e concluiu que a professora não tinha sido agredida e que tudo não passava de um “mero acidente”. A SEE também reconheceu em audiência no Ministério Público do Trabalho que tampouco a Comunicação de Acidente de Trabalho havia sido feita.

O vídeo de uma professora sendo agredida e humilhada em Araçuaí ganhou as redes sociais, assim como outros tantos casos. Diante desses cenários, o Sind-UTE/MG tem reivindicado políticas preventivas, bem como protocolos de atendimento para a categoria. No entanto, a Secretaria de Estado da Educação, mesmo diante do Ministério Público do Trabalho, se negou em fazer normas sobre o assunto.

A argumentação da SEE é de que um parágrafo de uma Resolução da Seplag, publicada em dezembro de 2014, é o suficiente para tratar do assunto. Mas, o Sindicato não só discordou como também lutou por uma legislação sobre o assunto. Só quem viveu a violência no ambiente escolar sabe do desamparo em que vive, da humilhação e exposição sofridas.

Outro caso recente e que também motivou o Sindicato a insistir numa lei sobre a violência no ambiente escolar foi uma situação que se arrastou por quase dois meses. Foi esse o tempo que o Sindicato gastou para conseguir a mudança de lotação de uma professora que estava ameaçada de morte na escola em que trabalhava. Isso depois de impedir que uma reunião entre a professora ameaçada e quem a estava ameaçando fosse realizada, o que faria ainda mais a exposição da professora.

Depois de muito persistir, o projeto de lei nº 3.874/2016 - construído pelo Sind-UTE/MG - foi assinado por mais de 30 deputados e deputadas, aprovado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, recebeu a sanção do governador Fernando Pimentel e foi transformando na Lei 22.623/17, publicada no Diário Oficial, dia 27/7/2017. O Objetivo é o Estado amparar o profissional quando vítima de violência além de medidas preventivas e estabelecer responsáveis por cada ação.

Vale lembrar que, desde 2014, o Sindicato tem participado de audiências no Ministério Público do Trabalho e feito essa reivindicação nas pautas entregues ao governo desde 2012. Também realizou o Seminário Estadual em 2016 para a construção de propostas que originaram o texto do projeto de lei.









quarta-feira, 26 de julho de 2017

Devolução de Imposto Sindical para os filiados ao Sind-UTE/MG - critérios e procedimentos

Prezado/a filiado/a,

O objetivo desta correspondência é prestar contas sobre o imposto sindical, descontado compulsoriamente no seu contracheque no mês de março do ano de 2013 e em março do ano de 2017, bem como, informar a deliberação do 8º Congresso do Sind-UTE/MG, realizado em Poços de Caldas, no período de 21 a 24/07/09, sobre a devolução do que foi descontado. Importante ressaltar que os servidores aposentados não sofreram o desconto do imposto sindical.

Desde 2009, o Governo do Estado realiza o desconto do imposto sindical dos servidores públicos estaduais. No entanto, os valores retirados dos contracheques destes trabalhadores não foram repassados imediatamente para as entidades sindicais, pois, o Estado de Minas Gerais ajuizou uma ação de consignação em pagamento, com a alegação de dúvida quanto à representação sindical das diversas categorias que integram o funcionalismo estadual. A ação judicial tramitou perante a 2ª Vara de Feitos Tributários do Estado, na Comarca de Belo Horizonte, sob o nº. 0024.09.503.739-6 (Vide consulta processual no sítio www.tjmg.jus.br).

Vale destacar que os descontos das categorias representadas pelo Sind-UTE/MG acontecem sem pedido do sindicato. Os valores foram consignados pelo governo no citado processo judicial. Em 2010, o Sind-UTE/MG apresentou solicitação ao Governo do Estado para que NÃO realizasse novo desconto, mas, o governo argumentou que estava cumprindo a Instrução Normativa do Ministério do Trabalho, e procedeu a novo débito. Já em 2011, o Sind-UTE/MG iniciou uma negociação com o Executivo Estadual na tentativa de que os recursos dos trabalhadores em educação fossem liberados. Somente em março de 2012 foi possível apresentar à justiça um primeiro termo de acordo entre o Sind-UTE/MG, o SINDPÚBLICOS e a Advocacia Geral do Estado (AGE), para que estes recursos da contribuição sindical fossem disponibilizados.

Entretanto, tal termo de acordo foi primeiramente questionado na justiça pela UNSP (União Nacional dos Servidores Públicos Civis do Brasil). Os argumentos desta entidade não procediam em relação ao Sind-UTE/MG, sendo a questão superada em decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Houve um segundo impedimento levantado pelo Sindesp-MG (Sindicato dos Profissionais Especialistas em Educação do Ensino Público Estadual de Minas Gerais) e foi elaborado entre as entidades um novo termo de acordo. Importante mencionar que tal acordo não implica em modificação, reconhecimento ou substituição das bases de representatividade das entidades signatárias.

Em 6 de dezembro de 2013, o termo de acordo entre o Sind-UTE/MG, o SINDPÚBLICOS, o SINDESPE e a Advocacia Geral do Estado foi homologado pela Exma. Sra. Juíza de Direito Vânia Fernandes Soalheiro. A homologação já transitou em julgado.

Assim, os valores descontados em março de 2017, correspondentes aos cargos de Professor de Educação Básica – PEB; Analista de Educação Básica – AEB; Assistente Técnico de Educação Básica – ATB e Auxiliar de Serviços de Educação Básica – ASB; Serviçal; Auxiliar de Serviços Gerais; Diretor de Escola (com cargo efetivo de professor); Secretário de Escola; Coordenador B e C; Regente de Ensino; Secretário de Estabelecimento Ensino Médio e Supervisor Regional da Educação foram depositados na conta bancária do Sind-UTE/MG.

Já os valores descontados em março de 2013 correspondentes aos cargos de Professor de Educação Básica – PEB; Analista de Educação Básica – AEB; Assistente Técnico de Educação Básica – ATB e Auxiliar de Serviços de Educação Básica – ASB; Serviçal; Auxiliar de Serviços Gerais; Diretor de Escola (com cargo efetivo de professor); Secretário de Escola; Coordenador B e C; Regente de Ensino; Secretário de Estabelecimento Ensino Médio e Supervisor Regional da Educação somente foram repassados ao Sind-UTE/MG em junho de 2017.

O que foi depositado corresponde a 60% do que foi descontado de cada trabalhador dos cargos acima descritos. O restante de 30% foi ou será sacado diretamente pelas entidades sindicais de âmbito nacional, não sendo o mesmo de competência do Sind-UTE/MG e 10% são destinados ao Ministério do Trabalho e do Emprego.

O Sind-UTE/MG também efetuou a devolução dos recursos para os filiados que solicitaram relativos aos anos de 2009, 2010, 2011, 2012, 2014, 2015 e 2016. A destinação do recurso que sobrar será discutida com a categoria com posterior prestação de contas.

Para que a decisão do Congresso seja cumprida e seu imposto sindical destinado ao Sind-UTE/MG seja devolvido, pedimos aos filiados que desejarem a devolução, para preencherem o formulário em anexo e encaminharem ao Sindicato até 29 de setembro de 2017.

É importante lembrar que: o dinheiro dos cargos de Especialistas em Educação Básica – EEB; Supervisor Pedagógico; Orientador Educacional e Diretor de Escola (com cargo efetivo de Especialista em Educação Básica) foram repassados ao Sindespe. E os valores do imposto sindical dos cargos de Assistente Técnico Educacional – ATE; Assistente da Educação – ASE e Analista Educacional – ANE; Auxiliar Administrativo e DAD (1, 2, 3, 4, 6, 7 e 8); Agente Governamental; Ajudante de Serviços Operacionais – Digitador; Auxiliar da Educação; Auxiliar de Serviços Especializados; Supervisor II; Técnico da Educação e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e Analista Educacional com função de inspetor escolar foram repassados ao Sindpublicos/MG. PORTANTO, NÃO HAVERÁ DEVOLUÇÃO DESSES VALORES PELO SINDICATO, JÁ QUE NÃO FORAM REPASSADOS AO SIND-UTE/MG.

Atenciosamente,

Direção Estadual do Sind-UTE/MG


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Prefeito de Ipatinga não paga salários e deixa servidores aposentados à míngua

Sebastião Quintão (PMDB) descumpre decisões judiciais que determinam o pagamento do benefício; campanha “A Fome Bate à Nossa Porta” recolhe doações para garantir sobrevivência dos mais necessitados

Os servidores aposentados do Município de Ipatinga estão vivendo uma situação pela qual jamais imaginaram passar: tiveram suas aposentadorias reduzidas drasticamente de um dia para o outro. Como conseqüência, não conseguem mais pagar pensão alimentícia, tiveram planos de saúde cortados, nomes negativados em função da inadimplência em empréstimos consignados em instituições financeiras credenciadas pela Prefeitura de Ipatinga para recebimento dos salários até então depositados e muitos deles estão em situação de miséria. Casos de depressão, desenvolvimento de doenças e até tentativa de suicídio foram registrados nos últimos meses entre os mais de dois mil servidores aposentados do serviço público municipal. Deles, cerca de 1 mil são trabalhadores da Educação.

Em Ipatinga, uma lei municipal de 1994 determina o pagamento das complementações salariais aos servidores aposentados, custeadas pelo erário. O INSS paga o valor de acordo com as contribuições dos servidores para o regime geral e o Município complementa o restante. Em muitos casos, o valor recebido da Prefeitura compõe mais de 50% do total da renda. No entanto, em 2015, o Município, ainda na gestão anterior – da ex-prefeita Cecília Ferramenta (PT) – ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) questionando a validade da lei, pela falta de custeio, uma vez que não houve a criação de um fundo complementar para arcar com a despesa da complementação. “Os aposentados estão recebendo esse direito há mais duas décadas. A omissão na criação desse fundo, cuja lei é de iniciativa privativa do Poder Executivo, não deveria recair sobre o trabalhador. É uma contradição, uma vez que quem se omitiu no dever constitucional foi o próprio poder público municipal”, analisa Feliciana Saldanha, que integra a direção estadual do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, o Sind-UTE/MG.

O Sind-UTE/MG tem empreendido uma verdadeira “cruzada jurídica” para compelir o prefeito Sebastião Quintão (PMDB) a efetuar os pagamentos devidos. E tem conseguido o respaldo do Poder Judiciário. Quintão, que venceu as eleições municipais em 2016, com ampla maioria, atrelou sua campanha, entre outros pontos, à questão da regularização do pagamento dos servidores aposentados. Mas agora se recusa a pagar, mesmo com decisões do Poder Judiciário local e com um acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), onde tramita a ADI, esclarecendo que os pagamentos de quem já está aposentado devem ser efetuados regularmente, até o julgamento final do mérito da ação.

“Primeiro, para não pagar, o prefeito afirmou que deveria esperar o julgamento da ação. Depois, quando houve o julgamento da ADI em sede liminar, suspendendo as futuras concessões de aposentadorias, interpretou, de forma propositada, erroneamente, o sentido da decisão do TJ, para justificar o não pagamento a quem já estava aposentado”, explica a advogada Juliana Barros, que compõe a equipe jurídica do Sind-UTE/MG.

No entanto, para dirimir qualquer dúvida, o Sindicato conseguiu um pronunciamento judicial esclarecendo o teor da decisão: só vale para a concessão de novas aposentadorias, não afetando, em nada, a situação jurídica de quem já está aposentado. A advogada lembra ainda que o Poder Legislativo municipal está pagando a complementação regularmente, não havendo qualquer parcela em atraso: “há ainda uma violação ao princípio da isonomia. Há servidores que recebem a complementação do Poder Público municipal e outros não. Não há qualquer respaldo jurídico para esta discriminação”, sustenta.

CRIMES

Os aposentados protocolaram pedido de investigação criminal na Delegacia de Polícia da cidade. Acusam o prefeito de descumprimento de decisão judicial, apropriação indébita e também periclitação à saúde do idoso, com amparo no Código Penal e no Estatuto do Idoso. “Há uma clara e deliberada intenção de não pagar os benefícios aos aposentados. Estão configurados crimes não apenas do prefeito, mas também agora de outros servidores que estão respaldando e obstando o cumprimento das decisões judiciais determinando o pagamento”, afirma a advogada Edilene Lobo, que assessora o Sind-UTE/MG. O Sindicato já levou representações e pedidos de investigação também ao Ministério Público local, à Procuradoria de Justiça, em Belo Horizonte, na instância especializada no combate aos crimes praticados por agentes políticos municipais.

DOAÇÕES

Enquanto o problema se arrasta, a situação financeira dos aposentados se complica a cada dia. Isso porque, embora haja irregularidade nos pagamentos desde 2015, com atrasos e parcelamentos, desde outubro de 2016, nenhuma parcela é paga. Além disso, o prefeito Sebastião Quintão cortou, em junho, o pagamento dos consignados nos bancos credenciados. Agora, nem mesmo os empréstimos, planos de saúde e até pensão alimentícia, que eram descontados diretamente nas contas bancárias dos aposentados, estão sendo quitados pela Administração Municipal.

“Não restou outra alternativa a não ser apelar para a solidariedade das pessoas. A gravidade chegou a tal ponto, que os aposentados já recorreram a todos os expediente possíveis para suportar a ausência dos salários, mas agora estão passando fome, precisando de dinheiro para remédio, para necessidades básica”, contextualiza o coordenador do Sind-UTE, subsede de Ipatinga, Jodson Sander. A campanha “A Fome bate à nossa Porta”, lançada no final de junho está arrecadando alimentos, dinheiro e remédio para os aposentados mais necessitados.

Projeto que implanta Regime Próprio travado no Poder Executivo

A solução para equacionar os pagamentos, bem como dirimir qualquer controvérsia em relação ao custeio da complementação salarial dos servidores aposentados está criação de um Fundo Complementar e do Regime Próprio de Previdência Própria para os servidores, para sustentar os pagamentos futuros. Um projeto, de iniciativa do Poder Executivo, foi enviado para a Câmara Municipal no ano passado e foi amplamente debatido com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, o Sind-UTE/MG, e também com o Sintserpi, o Sindicato dos Servidores Municipais de Ipatinga. No entanto, com a mudança de gestão, não houve mais avanços.

O Sind-UTE/MG pressiona e aguarda o envio de um novo projeto de lei para regulamentar a matéria. “Estamos trabalhando para que o prefeito cumpra seu papel e crie o Fundo para custeio da Previdência do servidor. Protocolamos um mandado de injunção na Justiça para compelir o Poder Público a enviar a lei. Mais uma vez, a inércia de quem tem o dever legal de agir está comprometendo os direitos e até a vida dos trabalhadores em educação”, conclui Feliciana Saldanha.






Fotos: Subsede Sind-UTE Ipatinga/Nilmar Lage

domingo, 23 de julho de 2017

CUT não teme fim do imposto sindical e diz que sindicalizar é preciso

A contrarreforma trabalhista sancionada pelo ilegítimo Michel Temer no último dia 13 entra em vigor no dia 11 de novembro e os sindicatos têm, portanto, menos de quatro meses para estabelecer estratégias que impeçam esse naufrágio dos direitos trabalhistas.

Analisando os efeitos a médio e longo prazo da Reforma Trabalhista de Temer, as lideranças sindicais dos ramos da CUT que participaram de um encontro em São Paulo na tarde desta quinta-feira (20) apontaram a necessidade de aprofundar as campanhas de sindicalização, já que, com o ataque às condições dignas de trabalho, os sindicatos se tornam ainda mais importantes.

Nesse processo, aponta o secretário de Administração e Finanças da Central, Quintino Severo, o fim do imposto sindical pode resultar em sindicatos mais combativos.

“Vamos tratar esse tema como sempre tratamos, sempre defendemos o autofinanciamento das centrais e sindicatos baseados numa contribuição dos trabalhadores aprovada de forma democrática e consciente. Acreditamos que esse é o principal momento de reforçarmos as campanhas de sindicalização, nossos princípios e fazer com que a sustentação financeira venha a partir da iniciativa dos trabalhadores”, disse.

Para o presidente da Confederação Nacional do Ramo Metalúrgicos (CNM), Paulo Cayres, o combate contra o capital continua da mesma forma que sempre foi para a conquista de direitos.

“Com lei ou sem lei nossa luta vai continuar, até porque, tudo que conquistamos foi resultado da mobilização do movimento sindical. PLR, redução de jornada, 13º salário, férias, tudo isso custou sangue e suor. E a classe trabalhadora vai continuar a mobilizar e debater o regime democrático, investindo também na formação de um Congresso nas próximas eleições que defenda direitos e não esse vendido que quer entregar as conquistas dos trabalhadores.”

Aproximação com a base

A presidente da Confederação Nacional do Ramo Químico, Lucineide Varjão, defende que o diálogo com a base tem de partir do princípio que, sem sindicato, o enfrentamento ao rolo compressor patronal, que financiou campanhas e cobrou dos deputados a aprovação da Reforma Trabalhista, irá arrancar toda a dignidade da classe trabalhadora.

“A reforma trabalhista veio para acabar com sindicato, com direitos trabalhistas e com emprego formal. E o papel do movimento sindical é construir ações para esse enfrentamento na forma da luta em massa. Se não houver a luta em massa, o sindicato sozinho não transformará a realidade”, disse.

Uma luta que exigirá mais ousadia das lideranças sindicais, alertou o presidente da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (Contac), Siderlei Oliveira.

“Eu vivi 1964 e tínhamos dificuldades tremenda, havia um Exército em cima de nós, não podíamos dormir em casa antes e no dia de ato, porque estavam rondando para nos pegar. Hoje, muitos dirigentes parecem se resguardar, mas trabalhadores estão pedindo que lideranças apareçam e precisamos de mais ousadia”, acredita.

Segundo a vice-presidenta da CUT e trabalhadora de origem rural, Carmen Foro, o diálogo se faz necessário para mostrar que o prejuízo não é exclusivo de um ou outro grupo.

“Com pessoas sem emprego ou sem salário decente para comprar os alimentos, a produção da agricultura familiar também será afetada. Hoje não temos crédito mais, as agências estão fechando, os bancos públicos que fomentavam a produção estão às mínguas. Não temos condições de produzir e temos afetada a estrutura para colocar o que produzimos no mercado. Então, essa reforma atinge a todos, até aqueles que não estão diretamente no alvo”, definiu.

Mas se o avanço da proposta pretende diminuir o poder de fogo do movimento sindical, alerta Carmen, terá como resultado um processo inverso a isso.

“A reforma trabalhista ser aprovada não significa que acabou o conflito entre Capital e Trabalho. Ao contrário, eles serão muito maiores e é nessa guerra que temos de nos meter pelas vias jurídica, política e via enfrentamento aos empresários. Será nossa capacidade de organização que determinará o futuro que teremos.”

Pensar a estratégia

Na esfera jurídica, o advogado Eymard Loguércio reforçou a visão de outros especialistas e acredita que ingressar com uma Associação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) neste momento será um tiro no pé por dar aval à reforma.

Para ele, há espaço para contestação de ao menos 10 pontos do projeto, desde a terceirização até a individualização das negociações coletivas. Segundo o advogado, o debate pode ocorrer tanto em âmbito internacional, por conta da lei representar o rompimento do Brasil com normas e tratados internacionais, quanto em âmbito nacional. Isso demanda, ressaltou, que o movimento sindical mantenha também um diálogo aberto com o judiciário trabalhista.

“O Supremo não é nosso palco, tem jogado contra nós em todas as matérias trabalhistas. Seria um erro do ponto de vista político, porque devolveria o palco ao inimigo, e jurídico, porque ainda há tempo a queimar”, disse.

Fonte: CUT- Luiz Carvalho e André Accarini

"Somente na liberdade democrática a gente se realiza", diz educador sobre Parada LGBT

Frente ao avanço de pautas e discursos conservadores, a 20ª Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte (MG) responde com ousadia e traz o tema "Família e direitos: nossa existência é singular, nossa resistência é plural". Responde ainda à crítica de ser "só um evento", e recheia o mês de julho com dezenas de debates, exposições, shows, intervenções, rodas de conversas e encontros, na 4ª Jornada pela Cidadania LGBT.

No meio disso tudo, no último domingo (16), a parada reuniu mais de 80 mil pessoas em luta por direitos e democracia na Praça da Estação, centro da capital mineira.

Nesta entrevista, o educador Azilton Ferreira Viana, presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos-MG), fala sobre os desafios da luta LGBT hoje.

Brasil de Fato MG: Por que a Parada escolheu o tema da família neste ano?

Azilton Ferreira Viana: Ao contrário do que se diz contra os LGBT, nós somos muito família. Na maioria das vezes, é sempre o filho gay, a lésbica, a travesti, que está ali com a mãe e o pai. Nós vamos celebrar 20 anos de parada. São 20 anos nas ruas pedindo direitos, clamando por cidadania, e ainda não conseguimos a plenitude disso. Acima de tudo, estaremos afirmando a democracia. Nunca foi tão necessário ocuparmos as ruas. Este é um momento crucial para o movimento LGBT. Vamos para a parada num misto de luta, reivindicação, mas também com uma consciência clara de necessidade de fortalecimento do processo democrático.

O processo de construção da parada inclui também uma série de atividades, ao longo de todo o mês de julho. Qual o objetivo?

Na verdade, sempre acusaram as paradas LGBT de serem um ‘carnaval fora de época’, micareta, como se as pessoas só se quisessem diversão, farra. Isso também. Nós celebramos nossas singularidades, e isso se expressa inclusive no corpo. Por isso que beijar, demonstrar afeto, para nós é muito importante. Mas é um ponto, não é apenas isso. O tema da parada gera uma série de debates. Estamos na quarta edição de uma jornada de cidadania LGBT. Uma jornada na qual o Cellos, em conjunto com diferentes parceiros, coletivos, grupos, conselhos de classe, universidades, dialoga com a sociedade sobre o tema do ano. Agora, todos os debates perpassam o tema da família, cada atividade com um viés particular. A gente pensou isso porque senão as pessoas que nos criticam teriam razão. A parada é um momento, dentro da jornada – que começou dia 30 de junho e vai até dia 30 de julho – no meio desse processo. Primeiro, para fortalecer o que já foi feito e também para dar mais fôlego e visibilidade para o que ainda vai acontecer.

Por que há tanta dificuldade em acessar dados em relação à população LGBT?

Uma grande entidade que contribui conosco é o GGB – Grupo Gay da Bahia – que levanta uma série de informações do Brasil inteiro. Eles fazem um relatório com os dados que saem na imprensa. Mas acreditamos que existam muito mais violações, além daquelas que eles conseguem acessar. Há uma subnotificação de casos de violência. Para nós isso é muito sério. O processo de invisibilização é sistemático. Aqueles que defendem a pretensa família, heteronomartiva, composta por homem e mulher, alegam que nós queremos destruir a família. Pelo contrário: veja o alto índice de casamentos de LGBT depois que foi permitido, a própria adoção de crianças. Mas nem esses dados conseguimos acessar direitos. E ainda lamentamos muito a violência, as mortes. E o pior: as pessoas LGBT são assassinadas duas vezes, devido à impunidade. Não há resolução dos crimes. E aí vai se invisibilizando cada vez mais. E muitas vezes se constrói a narrativa de que a vítima é ela a vilã, a culpada. Gostaria de falar sobre outras coisas, além de morte e violência, quero falar sobre emprego, sobre renda, sobre educação, sobre cidadania, sobre universidade… mas se não temos a garantia mínima, da vida, como vamos falar de outras coisas? E isso até hoje nos foi negado.

Quais os principais desafios para a população LGBT em Minas atualmente?

A gente começa a perceber um ensaio, ainda que tímido, de políticas públicas, como a criação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac). É uma tentativa de pensar, de maneira conjuntural, um conjunto de ações, como política pública. Mas ainda está tímido, porque o conservadorismo se apropriou muito do Legislativo. Uma autocrítica que precisamos fazer é que nos preocupamos tanto com o Executivo, que esquecemos o Legislativo. Então agora voltamos nosso olhar para esse ator político e social porque ele tem interferido diretamente na nossa vida. E, mais grave, hoje corremos o risco de perder garantias que conquistamos lá atrás, há mais de uma década. Só que as pessoas às vezes não lembram como foi difícil, quais foram as lutas necessárias para essas conquistas. Uma delas é a garantia no nome social para pessoas trans – que foi um decreto presidencial. Esse desgoverno pode eliminar o decreto. Já tem projetos na Câmara de revogação de leis, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo. E por aí vai. Estamos vivendo um retrocesso civilizatório. É difícil visualizar um processo pacífico no curto prazo. É preciso continuar fazendo o que a gente fez: ocupar as ruas, lutar com alegria, com nossas cores, com nossa diversidade, pela democracia. Isso que está em jogo hoje. Precisamos chamar a comunidade LGBT para ir para luta para garantir a democracia. Porque somente na liberdade democrática a gente se realiza.

Está crescendo entre a população LGBT a percepção de que a luta específica está ligada a uma pauta maior, de concepção de sociedade, de país?

A parada é construída coletivamente, aberta a quem quiser participar. Nas reuniões com os voluntários – que estão coma gente há mais de dois meses – a gente sente essa vontade de participar. Muitos jovens dizem que estão preocupados com o que está acontecendo no país e querem contribuir. Claro que há diferenciações entre as demandas dos gays, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, mas uma coisa nos unifica para além de qualquer coisa: o conservadorismo religioso se fundamenta na ideia de que nós, todos nós, de que forma for, temos que ficar invisibilizados, nos espaços demarcados pra nós, nos guetos. Quando a gente começa a sair dos guetos, vai para as universidades, para o mercado de trabalho formal, isso incomoda. Porque nós somos a subversão do modelo vigente. Por isso a luta é tão importante.

O conselho estadual LGBT está funcionando? E qual a avaliação sobre o processo para instituir o conselho municipal?

O municipal a gente perdeu. Não foi uma derrota simplesmente, foi um massacre. Depois temos que inclusive avaliar sobre nossa atuação, entender melhor o que aconteceu. Em relação ao conselho estadual, o projeto chegou agora, no final de junho, na Assembleia Legislativa, depois de três anos de muita luta. Na parada de 2016, nós votamos, de forma simbólica, pela criação do conselho. E só um ano depois essa demanda começa a andar. E agora tem uma segunda luta: convencer o Parlamento mineiro de que isso é um direito, e não um favor à comunidade LGBT. Não é porque queremos ser diferentes. Mas é porque existem especificidades da comunidade LGBT que um conselho de direitos humanos – que tem que tratar de idosos, crianças, adolescentes, mulheres, igualdade racial, pessoas com deficiência - não tem condições de tratar. É preciso um conselho específico para discutir as questões temáticas. E é papel do conselho exercer controle social. Verificar se existem políticas, se elas estão sendo implementadas, cobrar dos gestores e responsáveis. Há uma ideia equivocada de que o conselho onera os cofres públicos, mas não é verdade. A participação é voluntária. O papel é de controle social e fiscalização da política, propor soluções. Agora o projeto passa pelas comissões e depois ainda vai para votação em plenário.

Como você avalia o avanço do conservadorismo também na área da educação, como o projeto “Escola sem partido”?

O projeto “Escola sem partido” é altamente fascista. Ele tolhe o debate sobre a questão da orientação sexual, das identidades de gênero, mas também tolhe o debate sobre as ideologias, sobre filosofia, sobre a história. Se no início a discussão era somente sobre a discussão da sexualidade, agora ele passa a dialogar com todo o contexto sociológico e político. E é uma mentira quando dizem que é “escola sem partido”, porque, na verdade, estão partidarizando a disputa, justamente quando colocam a fala no lugar dos vencedores, os empresários. Para eles não tem sentido ter uma população formada, consciente, que saiba dos seus direitos. Para eles é melhor ter massa de manobra, pessoas que não tenham consciência para entender os processos. Muito mais grave do que o fato de falar de sexualidade, é o projeto tentar formatar a vida humana. Não dá pra gente se pensar como cidadão em uma ausência de consciência crítica. É lamentável, mas isso tem crescido. Os pais, na crença que estão protegendo os filhos, estão na verdade os fragilizando cada vez mais. É um fascismo, um totalitarismo, e de forma institucionalizada.

A 20ª parada é convocada como LGBT. Mas há outras nomenclaturas, outras letras. Como é isso?

Nós usamos LGBT. Porque em 2016 tivemos a 3ª Conferência Nacional LGBT, que congregou mais de mil ativistas do país inteiro, discutindo vários temas. E esse foi um deles, foi uma pauta de discussão, exatamente porque têm surgido muitas coisas de fora, do contexto internacional. Mas na conferência, nós – gays, lésbicas, travestis, mulheres trans, homens trans, bissexuais, binários, não binários – todo mundo, pactuamos que a sigla seria LGBT. O movimento é dinâmico, plural, e cada vez mais coisas vão surgindo mesmo. Mas nós pactuamos que essa seria a sigla. Então qualquer atividade que o Cellos faça – embora reconheçamos a importância de novas perspectivas sobre a sexualidade humana – usaremos essa terminologia, LGBT, por respeito a esse pacto comum. É a defesa de um posicionamento político de uma série de entidades e ativistas do país inteiro. Mas é legítimo que novos coletivos sugiram e busquem novas inclusões. Aí temos que fazer o processo de discussão coletiva.

Azilton Ferreira Viana: “Ao contrário do que se diz contra os LGBT, nós somos muito família” / Larissa Costa

Fonte: Brasil de Fato

    Copyright - Sind-UTE/MG Caxambu

    Rua Dr. Enout nº 193 - Centro/Caxambu. Telefone: (35) 3341-3799 / Email: sindutecaxambu@hotmail.com